terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O que é perdoar?


Perdoar. Tarefa fácil pra uns; difícil pra outros. O que é perdoar? Botar uma pedra em cima de todas as ofensas sofridas? Fazer de conta que nada aconteceu? Esquecer pura e simplesmente?Dar uma nova chance?
Em particular, não sou de guardar ressentimentos. Fico triste por momentos desagradáveis que marcam páginas da minha vida com decepções e a intensidade da tristeza que sinto é proporcional ao tanto de carinho que nutro por quem me magoou. Mas raiva, aquele sentimento ruim que afasta qualquer possibilidade de reconciliação, esse não alojo em meu peito. Dou sim, tempo ao tempo, espero as feridas cicatrizarem e aí sinto-me pronta, novamente para reinventar as relações estremecidas, se possível for.
Quando não é possível retornar aos bons momentos, guardo com carinho todos os que colecionei e continuo minha caminhada, sem ressentimentos.
A diferença entre tristeza e raiva é grande. A tristeza leva-me a refletir sobre todos os caminhos percorridos, leva-me aos por quês necessários para encontrar o equilíbrio. A raiva não me daria essa oportunidade, cegaria o meu senso crítico e afastaria qualquer possibilidade de crescimento emocional.
Penso que perdoar implica em livrar-se do ressentimento que, em geral, está acompanhado da raiva. Como o sentimento que me envolve em situações desconfortáveis é a tristeza e não a raiva, não tenho o que perdoar.
E você, caro visitante em meu blog, como costuma reagir em situações assim? Que sentimento você carrega quando alguém lhe magoa?

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Ao vivo e em cores

Penso que muitas relações sociais e afetivas, nos dias de hoje, estão sendo construídas em solos frágeis, raízes curtas e com pouca irrigação.
E isso me incomoda profundamente.
Sou de um tempo no qual ansiava o entardecer para encontrar os amigos, na soleira de minha porta. Lá, conversávamos sobre nossos sonhos para o futuro, tocávamos violão, contávamos piadas, ríamos de tudo.
Havia uma leveza que queria muito ser compartilhada.
Muitos segredos confidenciados e guardados com muito carinho.
Hoje, tenho dificuldade em me comunicar por e-mail, e sei mais lá o quê...
Não creio que as emoções possam ser cultivadas com teclas e telas.
A tecnologia tem um caráter objetivo, prático e funcional.
Nenhum meio de comunicação irá substituir um abraço, um olhar de ternura, um colo amigo.
Acredito até que há um lado negativo na comunicação virtual: é muito fácil tirar conclusões precipitadas e estragar uma amizade, por exemplo.
Já ouvi pessoas amigas comentarem que não querem mais falar com "beltrano" por que ele não lhe respondeu aos e-mails enviados ou porque o "sicrano" estava "online" e não deu um "oi".
A tecnologia que me desculpe, mas ainda prefiro me relacionar ao vivo e em cores.