terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Ao vivo e em cores

Penso que muitas relações sociais e afetivas, nos dias de hoje, estão sendo construídas em solos frágeis, raízes curtas e com pouca irrigação.
E isso me incomoda profundamente.
Sou de um tempo no qual ansiava o entardecer para encontrar os amigos, na soleira de minha porta. Lá, conversávamos sobre nossos sonhos para o futuro, tocávamos violão, contávamos piadas, ríamos de tudo.
Havia uma leveza que queria muito ser compartilhada.
Muitos segredos confidenciados e guardados com muito carinho.
Hoje, tenho dificuldade em me comunicar por e-mail, e sei mais lá o quê...
Não creio que as emoções possam ser cultivadas com teclas e telas.
A tecnologia tem um caráter objetivo, prático e funcional.
Nenhum meio de comunicação irá substituir um abraço, um olhar de ternura, um colo amigo.
Acredito até que há um lado negativo na comunicação virtual: é muito fácil tirar conclusões precipitadas e estragar uma amizade, por exemplo.
Já ouvi pessoas amigas comentarem que não querem mais falar com "beltrano" por que ele não lhe respondeu aos e-mails enviados ou porque o "sicrano" estava "online" e não deu um "oi".
A tecnologia que me desculpe, mas ainda prefiro me relacionar ao vivo e em cores.

3 comentários:

  1. Nossa, que texto maravilhoso. Concordo com você, pois nada substitui um olhar carinhoso, um abraço e aquele ombro amigo, que todos, em algum momento da vida, iremos precisar. Parabéns por esse texto, e por se manter "a favor" e erguendo a bandeira do contato visual. Por um momento que seja, precisamos largar a internet e olhar para aquela pessoa, dizer OI e poder sorrir e demonstrar emoções sem precisar de emoticons, winks e sem precisar do ícone "chamar atenção" para chamar a pessoa. Basta tocá-la. Mais uma vez, parabéns!

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  2. Interessante teu texto, bem sincero;
    lendo um comentário postado no facebook de um escritor que comecei a admirar recentemente, lembrei dele.

    Segue:

    "Dizem que os bons amigos podem passar longos períodos de tempo sem falar e sem se ver e que nunca questionam a sua amizade. Este grupo de amigos comporta-se como se tivessem falado no dia anterior, sem ter em conta o tempo que não se viam ou o longe que vivem um do outro.
    Eduardo Amarante

    Amigos temos vários,mas são poucos os verdadeiros;

    os que se importam pela falta de um "oi" pelo msn ou a resposta de um e-mail, se importam por "qualquer coisa", e na minha opinião, não são tão amigos assim.

    Bjinho.

    Mara

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  3. Você não devia pedir desculpas a essa tal tecnologia, ela é que deveria pedir desculpas e perdão por essa capacidade que tem de levar pessoas reais para o mundo da mentira e da farsa. E esse mundo, é totalmente diferente daquele que você "frequenta" quando faz a leitura de um bom livro ou de um texto como esse seu, por exemplo. No mundo da leitura, você é o próprio autor, você e sua imaginação dão o tom das cores e das coisas ali presentes. Ainda bem que existem autores como você Leyd Souza e o citado Eduardo Amarante.
    Vocês devem continuar nessa caminhada, pois escrevendo, pensando e agindo assim, vocês nos ajudam a visualizar aquela luz lá no fim do túnel, onde poderemos perceber que a vida é muito mais do que eles insistem em afirmar hipocritamente: "você precisa malhar"; "precisa implantar o silicone"; "precisa diminuir ou aumentar os seios, o bumbum", etc. Só não falam que as pessoas precisam pensar mais para viverem melhor; Precisam se verem mais e se tocarem mais, ao invés de se pintarem mais, de se modificarem mais, deixando de serem originais, naturais.

    25 de março de 2011 08:11

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